Quando o riso é frouxo

Por Beto Garcia

Desde que eu pensei que queria ser pai, ainda jovem, eu imaginava certas situações que demandam uma maturidade que eu sei que não possuo. Espera. Não pensem que eu seja um cara imaturo. Mas eu tenho um problema de riso frouxo… hehehehe… A pessoa pode ter acabado de discutir comigo mas se acontecer algo hilário na minha frente, vou rir. Puto da vida, mas vou rir.

Daí que eu imaginava quando meu filho ou filha fizesse uma malcriação e eu tivesse que dar uma bronca daquelas… Eu conseguia imaginar isso. O problema era se o pequeno ou pequena viesse fazer uma gracinha qualquer exatamente nesse momento.

Quando o sonho virou plano, conversava com a mãe do João sobre isso francamente. Avisei para ela que se isso ocorresse, ela precisaria me socorrer e continuar a bronca para eu sair dali rindo escondido e não perder a pose diante da criança arteira. Mas eu sabia que uma hora isso não seria possível e teria que dar um jeito… Só não sabia qual seria esse jeito.

Pois bem…

Na verdade, como passei a morar sozinho enquanto o João ainda estava muito novo, aquele socorro da mãe não teve tempo de acontecer. Depois da separação, a situação já ocorreu algumas vezes e a solução que eu consegui fazer foi a de segurar a risada o máximo possível. Cobrir a boca e forçar as sobrancelhas numa expressão séria também são boas opções pra quem tem o mesmo problema que eu… #FicaADica 😉

O grande problema desse tipo de situação – pelo menos com o João – é que se ele percebe que eu estou dando uma bronca e do nada começo a rir, ele ri mais pra me quebrar e a bronca perder a seriedade. Não precisa nos conhecer pessoalmente ou pensar muito pra compreender que isso acaba com um momento sério, onde eu julgo que seria preciso chamar a atenção dele para algo que ele estivesse fazendo de errado ou alguma situação perigosa que requer atenção extra. Também não dá pra fazer disso uma catástrofe. Acredito que a conversa séria pode ser feita, mesmo que você ria no meio dela. Se riu, paciência. Dá uma risada e depois volta ao normal pra conversar com o pequeno.

Mas aí a vida nos prega peças, não é verdade?! E eu, que ficava revoltado quando estava chateado e alguém me fazia rir, descobri que isso pode encerrar as birras do João e, melhor ainda, o faz voltar a ser a criança brincalhona que é. Então, nada como usar isso a meu favor para que tudo volte ao normal quando ele começa a fazer aquele bico de invocado! 🙂

Tá… Não é sempre que dá certo. Já teve algumas vezes em que ele não desfez o bico, não parou de fazer malcriação e não encerrou a birra. Paciência. Não é receita de bolo. É só uma alternativa pra fazer com que as coisas voltem ao normal um pouco mais rápido e a risada dele retome o lugar da cara fechada… E, no final das contas, se ele ri, eu acabo rindo junto. 😉

Tal Pai, Tal Filho?

Por Beto Garcia

É icônico e engraçado como os filhos espelham seus pais em determinadas coisas e, em alguns casos, em quase tudo. Algumas vezes é uma mistura de hábitos dos dois pais e outras nós conseguimos perceber um hábito repetido aqui ou ali. Mas dessa vez não estou falando da mesma coisa que meu xará, Alberto Oliveira, falou no seu último texto. Estou indo em hábitos que nossos filhos não teriam como repetir por nos terem visto fazer determinada coisa…

Ilustrando, quando eu era um adolescente, uma vez me lembro de ter deitado no sofá de casa e apoiado a perna sobre o encosto do sofá. Meu pai passou pela sala, parou e me perguntou o motivo de eu estar fazendo aquilo. Eu não soube responder a ele. Depois ele me contou que quando era um pouco mais velho do que eu, costumava se deitar no chão da casa dele e apoiar a perna sobre o assento do sofá, da mesmíssima forma que eu fazia naquele momento.

Obviamente, eu nunca havia visto aquilo – meu pai era um jovem, né?! – mas repetia isso instintivamente. Algo ou alguém explica? Não sei… Nem sei se isso tem alguma coisa a ver ou seria mera coincidência.

Então, quando eu era apenas uma criança, tinha um pavor infundado de cortar o cabelo. Eu não gostava e não sei dizer o motivo disso. Meu pai tinha um barbeiro onde ele sempre cortava o cabelo e me levava lá. Mesmo antes disso, me lembro de minha mãe me levar em alguns salões pra cortar o cabelo e a história era rigorosamente a mesma: escândalo.

O barbeiro que meu pai me levava era atencioso e cuidadoso, mas não tinha jeito. Eu entrava chorando e saía chorando. Dizia que não queria ir. Implorava para não ir. Mas, claro, era preciso ir cortar a “juba” de vez em quando. Isso só foi acabar quando eu me tornei um adolescente e, obviamente, não cabia mais esse meu receio em ir num local e ficar sentado pra cortar o cabelo. Me lembro até de curtir fazer isso… Nessa época, já tinha sempre alguém pra lavar o cabelo antes e tal e era uma coisa diferente. Enfim…

Quando eu comecei a me imaginar como pai, passei a pensar em determinadas coisas que meu filho ou filha poderiam fazer que eu fazia enquanto era criança. Uma dessas coisas era esse pânico de cortar o cabelo.

E aí o João chegou… Ele veio muito genioso. Muito, muito. Mas isso eu não tinha dúvidas de que iria acontecer. Durante o crescimento de João, voltei a imaginar como seria no momento de cortar os cabelos daquele pequenino genioso. Os primeiros “cortes” foram feitos em casa mesmo, apenas aparando os cachinhos. Mais tarde, ao precisar realmente ir a algum local pra cortar o cabelo, esse receio apareceu mais forte.

Me lembro claramente da primeira vez que eu o levei e tive que me sentar na cadeira do salão com ele no meu colo para que ele deixasse, mesmo que rusticamente, o barbeiro cortasse o cabelo dele. Ah… Faltou citar que ele só deixou que isso ocorresse depois de muita choradeira e quando o profissional sacou um notebook com desenhos infantis de um armário do salão. Minhas perspectivas estavam se tornando realidade mas eu não sabia dizer o motivo disso estar se repetindo. Nesse dia, em específico, João saiu de lá com o cabelo muito mal cortado, pois ele se revirava quando o barbeiro tentava pegar o cabelo dele para fazer o corte.

Uma outra vez, desisti do corte, num outro local, pois os gritos que ele começou a dar e o susto que a profissional tomou com isso impediram que qualquer coisa fosse feita. Na verdade, eu saí de lá muito chateado (só pra usar uma palavra publicável) pois a moça disse que não iria cortar o cabelo dele daquele jeito.

Finalmente, há pouco mais de dois anos, descobrimos um salão que atende a muitas crianças por estar situado em um shopping com muitas lojas destinadas a esse público. Lá eles contam com videogames e cadeiras adaptadas para que a criançada deixe os profissionais fazerem o que estão ali para fazer: cortar o cabelo. Mas, a primeira vez que fomos lá, não havia nenhuma dessas cadeiras vagas e o João teve que sentar-se no colo da mãe para que o corte pudesse ser realizado.

Eu tentava distraí-lo, a mãe tentava segurá-lo e o barbeiro tentava cortar. Devia ser cômico pra quem assistia e angustiante para quem estava envolvido, pois eram três adultos para conseguir deixar com que uma criança de 2 para 3 anos cortasse o seu cabelo.

Quando saímos dali eu fiquei imaginando o que o meu pai passava comigo, fazendo aquele tipo de escândalo para não cortar o cabelo… Nossa… Que vergonha… hehehehe…

Na segunda vez que levei o João lá, ele conseguiu se distrair bem e a paciência do profissional foi fundamental para que eu decidisse levar ele lá sempre, mesmo sendo um pouco mais caro do que em outros barbeiros. Nesse dia, eu me lembro bem de ter saído de lá querendo comemorar como se meu time de futebol tivesse vencido um campeonato importante… João estava, finalmente, com o cabelo cortado e bem cortado, diga-se de passagem. Meus pais só foram ter isso comigo uns 4 ou 5 anos mais tarte e eu, um afortunado, já tinha o filho parecendo gente, com o cabelo direitinho.

Pausa no texto…

Infelimente, na minha época de menino, a moda era aquele cabelo ridículo com corte de cuia, como chamávamos. Parecia um indiozinho. Nada contra os índios, pelo amor de Deus, mas preferia ter deixado pra eles usarem esse corte ao invés de terem me obrigado a usá-lo.

Atualmente, os cortes estão mais legais – tirando aquelas extravagâncias que são feitas nos cabelos, né?! Quando João nasceu, ele veio cabeludão e as enfermeiras mandaram ele pro quarto já com um moicano bem mandado, no melhor estilo “craque de futebol” que o cabelo dele permitia realizar…

Voltando ao tema…

Hoje, graças a tudo que é mais sagrado, quando o cabelo está maiorzinho, João até já pede pra ir cortar o cabelo com o “tio”, que ainda o presenteia com um pirulito depois do corte.

Brincadeiras à parte, afinal, isso tudo me levou a pensar e ainda não chegar numa conclusão do motivo disso acontecer. Como pode um filho repetir o comportamento do pai mesmo sem ter visto tal comportamento ocorrer? E vocês, já passaram por algo semelhante?

Estreando nosso canal no Youtube

Hoje é dia de estréia aqui no DppF. Estamos testando um novo modelo de compartilhamento de informações com vocês, através de vídeos no youtube.

O primeiro será do meu xará, Beto Garcia, falando sobre o texto que postei hoje, falando sobre os exemplos que devemos dar aos nossos filhos.

Esperamos que vocês gostem. Ah, mandem feedback pra gente falando se ficou legal dessa forma, ok? Nossa idéia é sempre fazer o melhor para todos vocês que nos seguem.

O link para o vídeo do outro Alberto está aqui

 

Aguardamos os comentários!

 

Exemplo, pra ser seguido, precisa ser dado!

Por: Alberto Oliveira

 

Vejo muitas pessoas reclamando da alimentação dos filhos, e dos seus hábitos, em geral.

Sedentarismo, video games, comidas bem longe do saudável, não gostam de ler. E por ai vai. Temos uma lista interminável de reclamações. Em um mundo tão cheio de estimulos que, às vezes, não são exatamente saudáveis, você tem servido de exemplo para seu filho? Continue lendo “Exemplo, pra ser seguido, precisa ser dado!”

Quando a exposição é demais?

Por: Alberto Oliveira

A internet veio para unir, também, as pessoas. Tal qual fez o telefone, um dia. Diminuir distâncias. Possibilitar um contato mais próximo, mesmo estando muito distante, geograficamente falando. Permitir participar, de certa forma, da vida do outro, mesmo sem estar na mesma cidade ou país.

Porém, como tudo na vida, há um preço. Estamos dispostos a pagar?? Continue lendo “Quando a exposição é demais?”

Antes de oferecer, pergunte!

Por Alberto Oliveira e Beto Garcia.

 

Educar é, invariavelmente, uma tarefa difícil, cansativa, enfadonha e permanente. Existe um sem número de técnicas para fazê-lo. Da mais simples até a mais complexa. E assim vai. Negociações, explicações, castigos, conversas, diálogos e, para alguns, até violência.

Sem entrar no mérito de cada técnica, eu, Alberto Oliveira, me deparei com uma situação, no mínimo, inusitada, na escola que Davi frequenta. A mãe de Davi foi buscá-lo na escola esses dias. Ao chegar, ele estava realizando uma atividade e pediu para ela esperar. Quando a professora foi entregá-lo, ocorreu o seguinte diálogo:

Professora: Pronto, Davi. Eu e sua mamãe já combinamos tudo, viu? Não é, mamãe?

Mãe de Davi: (sem entender bem o que se passava) Sim, claro.

Professora: Então, se você fizer todas as suas tarefas e se comportar na sala, você vai ganhar o boneco que você quer, tudo bem?

Mãe de Davi: (atônita) Depois vemos isso, certo, Davi?

Davi, como toda criança, tem suas dores e amores. Seus problemas e virtudes. Suas dificuldades e diferenças. Algumas já conhecíamos. Outras nos foram sinalizadas na escola. E assim vamos seguindo, cuidando e procurando oferecer o melhor, em termos de educar e ensinar, para ele. Quando nos deparamos com uma situação dessas em uma escola, fico preocupado. Não só pelo fato disso ter acontecido em uma escola. Mas por essa “mania” que algumas pessoas têm de tentar “comprar” as crianças para que elas obedeçam as regras.

Davi não tem esse tipo de negociação na vida. Ele tem sim, escolhas. Ele pode escolher tomar banho agora ou depois de mais um episódio do desenho. Ele pode escolher inhame, macaxeira ou sopa para o jantar. Ele pode escolher suco de uva ou limão. Mas ele não vai receber um presente por fazer o que ele tem que fazer. Por cumprir regras. Nosso trabalho, com ele, é fazer ele entender que as regras existem para ser obedecidas e seguidas. E, nem sempre, isso vai resultar em benefício. Funciona da mesma forma quando alguém decide oferecer comida aos nossos filhos, SEM nos perguntar se podem ou devem. Às vezes ficamos em uma sinuca de bico, quando é algo que a criança poderia, mas não queremos estimular ela a aceitar coisas de estranhos. Ok, às vezes a pessoa quer apenas ser simpática. Mas, infelizmente, essa simpatia pode, sim, matar. Alergia alimentar, por exemplo, é coisa séria. Tenho um amigo que é alérgico a álcool e café. Se ele levar um beijo de alguém que tomou café, o rosto dele pipoca inteiro. Imagine uma criança que tem algum tipo de intolerância e consome um alimento proibido? Pode morrer!

Existem ainda vários conceitos sobre a vida de uma criança e sua família que as pessoas podem não conhecer e/ou não compreender. Mas, para aquela família, é um fundamento. Isso pode envolver dogmas ou escolhas que os pais definem para sua casa e seguem com seus filhos, mas, quem está de fora, não necessariamente os conhece. A escolha por ser vegetariano, vegano ou qualquer outra terminologia para esta opção de alimentação é uma das que mais me vem à cabeça agora. E o simples fato de uma oferta de alimento fora dos padrões pode modificar todo o conceito já existente na cabeça da criança. Há também as questões de opções religiosas, onde as pessoas não podem comer determinados alimentos. Neste caso, consigo imaginar um horizonte ainda pior pois, se nunca consumiu aquele tipo de comida, nem pode saber se é alérgico a tal coisa. Percebem como o assunto poderia se desdobrar por páginas e páginas?!

No meu caso, Beto Garcia, eu já passei por uma situação parecida e fiquei alarmado com o que ocorreu. João, ainda bem, não tem nenhuma alergia conhecida. Mas as pessoas que não convivem próximo a ele não têm como saber disso. Um dia, durante a aula de futsal, João parou para falar com uma amiguinha que estava do outro lado da quadra, de onde eu via tudo. A amiguinha estava com a mãe dela e eu não esbocei nenhuma reação. Estávamos dentro da escola dele e não julguei a situação como perigosa para que eu tomasse alguma atitude naquele momento.

Quando retornou para o jogo, João mastigava alguma coisa. Imediatamente eu o chamei e perguntei o que ele tinha na boca. Ele ficou me olhando meio sem entender e diante da ausência de resposta dele, mandei que ele cuspisse o que estava na boca direto na minha mão. João cuspiu dois amendoins dados a ele pela amiguinha na frente da mãe. No momento eu fiquei muito irritado. A sorte é que a menina já tinha ido embora do local com a mãe ou eu teria atravessado a quadra no meio do jogo para lhe perguntar se ela sabia se João era alérgico ao alimento que tinha sido ofertado a ele… E justo amendoim, que muitas pessoas são alérgicas.

Depois desse episódio, tive uma longa conversa com o João para que ele não aceite nada de ninguém quando estiver sozinho. Se estiver na minha presença ou acompanhado pela mãe, ele precisa perguntar a nós se pode aceitar o que está sendo ofertado a ele. Como disse, a preocupação com o João não é uma alergia. Mas o que e de quem ele está aceitando comidas ou outros agrados.

Um outro bom exemplo que pode ser usado e remete um pouco ao caso de Davi é sobre a escolha dos pais de que brinquedos seus filhos podem ou não ter.

Antes de escrevermos esse texto, nós dois (os Albertos… hehehe) conversamos sobre o assunto. E concordamos em quase todos os pontos. Uma das coisas que lembramos é sobre presentes inadequados. É óbvio que, no aniversário do seu filho, ele pode ganhar algum brinquedo que você julgue inadequado para a idade dele ou até para a sua ideologia. Por exemplo: concordamos que armas não são bons brinquedos para se dar de presente para uma criança. Deixe que os pais presenteiem com esse tipo de coisa, se assim desejarem. Você gostaria que seu filho recebesse uma arma de fogo (de brinquedo, obviamente) de presente? Ou uma espada? Ou um brinquedo para idade bem superior à dele? O assunto é complexo. Então por qual motivo nós teríamos que deixá-lo mais ainda? Deixe certas escolhas para os pais da criança e vá no mais óbvio. Não faça “apostas” quando o assunto é o filho de uma outra pessoa.

Como dissemos anteriormente… Poderíamos escrever páginas e mais páginas sobre esse assunto…

Então, deixamos esse recado, desabafo, dica ou como vocês preferirem entender: NÃO ofereça nada ao filho de outra pessoa SEM perguntar previamente aos pais. Sobretudo se isso envolver um processo educativo que, talvez, o modo dos pais conduzirem seja BEM DIFERENTE do seu. Se for dar um presente a uma criança que não seja do seu convívio diário ou que não conheça tão bem as regras da família, NÃO faça apostas, vá no mais óbvio, para que não tenha problemas com esse presente. E, por último, mas não menos importante, NUNCA combine NADA com o filho de outra pessoa SEM combinar com os pais dessa criança ANTES. Fechado? Davi, João e todos os outros pequenos agradecem, assim como os papais e mamães. J

As voltas que o mundo dá…

Por Beto Garcia

Eu fico aqui pensando e volta e meia o título desse texto me vem à cabeça. O mundo dá cada volta… E, de repente, você se vê em cada situação… Algumas ruins, outras boas. Umas engraçadas e outras tristes. Mas sempre que você pensa “Putz! O mundo dá voltas!”, algo de incrível aconteceu. Mas não vou falar de uma experiência minha hoje… Vou relatar o caso e apenas dar uns pitacos aqui e ali pra gente poder refletir sobre isso. Combinado?

Este é um caso real que aconteceu em alguma cidade desse Brasil que pode ser a cidade onde você mora. Pode ser também que você conheça essas pessoas… Ou pensa que conhece. Eu, muito sinceramente, acho que a vida dá um jeito de pôr no seu caminho as coisas que não deveriam sair dele. De um jeito ou de outro acabamos obrigados a lidar com aquilo… Enfim… Vamos aos fatos!

Ahn… Obviamente usarei nomes fictícios, ok?!

Charles e Diana viviam uma vida de realeza. Sacaram a ironia, né?! Heheheh… Eles eram muito felizes e resolveram ter uma família – e para isso, teriam que ter um filho ou filha. Planejaram e tal. Pimba! Nasceu a linda princesinha Charlote. Charles, Diana e Charlote eram felizes em seu lar.

Então, em um não tão belo dia assim, Charles e Diana resolveram que não seriam mais uma família. Charles saiu de casa. Charles não mais quis saber de sua princesinha Charlote. Normal? Não. Apenas mais uma história de abandono de uma filha pelo pai que se separa e acha que não tem mais responsabilidade sobre a criança.

Mas Charles, Diana e Charlote não moram numa megalópole como Londres. Na verdade, eles moram numa cidade pequena para média e… Bem, quem mora numa cidade dessas sabe que a vida pode dar muuuuuito mais voltas em um ambiente limitado.

Pois bem… Eis que acontece a magia.

Charles conhece uma nova mulher, que vou chamar de Camila… E Camila tem um filho de outro relacionamento que irei chamar de Tom. Depois vocês procurem, por favor, toda a relação dos nomes pois estou gastando mais tempo com isso do que com a própria história. Combinado? 😉

Charles se dá muito bem com Tom mas não liga, nem encontra mais Charlote, sua filha com Diana. Normal? Não. Mas muitos pais ainda fazem isso mundo afora. Ao se separarem, acham que a responsabilidade dos filhos fica com a ex-esposa, mãe das crianças.

Mas… O mundo dá voltas, né?! Então… Charles e Camila passam a morar juntos e Charles fica responsável por buscar Tom na escola todos os dias. Daí descobre que… Tom… Estuda… Na mesma classe… Que Charlote… Voilà!!!

Charles busca Tom na escola, mas sequer procura a filha para lhe perguntar como está. Charles não quer mais saber de Charlote. Mas Tom e Charlote são colegas de classe. O trabalho que Diana tinha com Charlote, conversando e orientando a menina teve que ser quintuplicado. Como vai entrar na cabeça de uma menina de 11 anos que o pai está ali, mas não fala com ela. Ele vai lá na escola todos os dias, mas vai apenas para buscar um dos colegas dela, enteado dele.

Serei sincero, muito sincero.

Como pode uma pessoa viver com isso na cabeça? Como pode deitar e dormir todos os dias com esse peso na consciência, com esse Karma? Ele acorda, toma café, trabalha, almoça, volta para o trabalho e sai de lá pra buscar o enteado na mesma escola da filha dele e… Nada? Depois vai para casa, janta, brinca com o menino, deita e dorme. Assim? Pura e simplesmente isso? Gente… Me ajuda a entender como funciona a cabeça de uma pessoa dessas…

Fiz uma pesquisa rápida, bem rápida mesmo, na internet e achei uma resposta plausível: sociopatia ou psicopatia. Segundo os estudiosos e médicos, ambos estão muito ligados e poucas são as diferenças entre um psicopata e um sociopata. Difere apenas na motivação do transtorno. Quando é inerente ao ser por fatores biológicos e/ou genéticos, é considerado um psicopata. Já o que “aprendeu” a agir assim pelo ambiente em que vive (ou viveu), pode ser considerado um sociopata. O que acontece é que ambas as terminologias levam a um indivíduo que têm sérios problemas relacionados ao Transtorno de Personalidade Antissocial, algo muito complexo para abordar aqui. Mas acho que já deu pra todo mundo entender que a coisa pode parecer brincadeira mas está longe de ser uma, não?! A abordagem que escolhi para este texto foi tão somente para que o assunto não se torne mais pesado do que já é…

Se você é um Charles, tenho uma coisa pra falar para você. Na última terça eu jogava conversa fora enquanto assistia ao futsal do João na escola e o papo era a idade boa em que ele está versus a filha da pessoa com quem conversava, que está chegando aos 16 ou 17 anos. Ele me disse… “Aproveita essa idade pois é uma das melhores. Depois vai crescer e não vai ter mais nada disso…” Carinhos, abraços, beijos, manhas… Tudo é único. Tudo vai passar. Vamos endurecendo e isso fica no passado. Cada idade tem a sua peculiaridade e qualquer etapa perdida está, obviamente, perdida. Por isso eu luto e brigo tanto para estar com o João o máximo de tempo que eu posso… Não jogue isso fora, Charles. Não abra mão disso. O tempo não vai voltar. Você pode ter outros filhos, mas praquele ali você vai ter sido quase nada ou um nada absoluto.

Se você é uma Diana, posso te falar uma coisa também. Lute pelo seu filho. Para que ele tenha sempre o melhor. Em tudo. Independente do pai dele ser um Charles da vida… Você pode fazer a diferença na vida dele, mesmo que não possa suprir o papel do pai.

E se você é uma Charlote… Saiba que nada é por sua culpa. Charles existem no mundo todo, acredite. E ele não está fazendo isso por sua causa. Provavelmente tenha um transtorno sério e não consegue resolver isso sem atingir as pessoas que estão à sua volta. Procure ajuda. Tenho certeza de que vai conseguir muita e vai superar isso, embora não seja fácil.

A hora de aprender com as crianças

Por Alberto Oliveira

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Davi vai fazer 4 anos de idade em setembro. Desde seu nascimento pude aprender e ensinar muitas coisas para ele. E essa foi, é e sempre será uma experiência prazerosa. Trabalhosa, às vezes. Mas ainda assim, prazerosa. Ensinar e aprender. Fases diferentes de uma mesma vida que, algumas vezes, se misturam.

Essa semana fui apresentado, por minha parceira e companheira de todas as horas, a um filme que eu sequer havia ouvido falar. Little Boy é o título dele. Continue lendo “A hora de aprender com as crianças”

Para perder a serenidade…

Por Beto Garcia

Se tem uma coisa que me deixa revoltado é a falta de bom senso das pessoas. Outra é a aplicação arbitrária de “regras” que prejudicam claramente alguma pessoa em detrimento de outra. Se juntar a estas duas coisas o ato de diminuir ou distratar o pai por ele ser pai… Ora, o blog trata basicamente de paternidade e essa é uma causa que eu e meu xará Alberto Oliveira compramos pra brigar aqui e na vida. Agora vejam…

Um casal, pais de gêmeos, estavam passeando no BarraShopping, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro. Durante o passeio, naturalmente, precisaram se dirigir ao espaço família do shopping. Enquanto a mãe cuidava de um dos bebês, o pai era golfado pelo outro. Sim, era golfado. Natural que esse bebê, além de ter feito isso, estivesse chorando naquele momento. Concordam?

Natural também é aceitar e entender que o banheiro família deveria estar sendo usando por outras famílias. E isso era verdade… Mas… Nesse momento, entra no recinto uma mãe com seu bebê para amamentação e a funcionária do shopping que cuidava do local ordenou – sim, é essa a palavra, OR-DE-NOU – que o pai se retirasse de lá pois havia uma mãe que iria amamentar.

O pai… Ainda sujo… Foi obrigado a se retirar dali naquele exato momento pela funcionária do BarraShopping que cuidava do espaço. Essa família, muito constrangida, procurou o local para reclamar sobre o fato, mas não conseguiu a informação de onde deveria registrar essa reclamação.

Fato é que, hoje, dia 4 de maio de 2016, passados quatro dias do ocorrido, o Jornal carioca Extra publicou uma matéria. Até o momento, a administração do BarraShopping não havia se pronunciado sobre o ocorrido, mesmo com a mãe dos gêmeos tendo ido até a página do shopping no Facebook e relatado tudo. Então, com a repercussão do caso, por volta das 19h, o shopping resolveu se pronunciar, respondendo diretamente a reclamação da mãe.

Segundo o comunicado, existem dois espaços família. Um onde só mães podem entrar com os seus filhos. O outro pode entrar as mães com seus acompanhantes. Oi? Espaço família onde só a mãe entra? Tem algo de errado nisso ou eu estou pirando mesmo?

Como mudar o mundo se o mundo não acompanha o movimento? Como fazer com que as pessoas pensem diferente se as instituições não querem mudar seus conceitos do século XIX? Como aceitar que um pai possa estar sozinho com seu filho passeando no shopping e não possa usar um espaço família para as necessidades desse filho – ou para as suas próprias? Como fazer com que o que se intitulou um dia como o “maior shopping center da América Latina” evolua como a América Latina e o mundo estão evoluindo?

Hoje o texto é curto… Mas pode ter certeza que isso vai desdobrar… E você, papai, que gosta de passear com o seu filho no shopping, não se esqueça: procure um shopping que aceite você e o seu filho dentro do espaço família.

Acompanhem o caso: aqui e aqui.

Uma Carta Para João

Música sugerida: Lullaby (Goodnight, My Angel), de Billy Joel, aqui.

Por Beto Garcia

Filhote,

Desculpe esse seu pai. Desculpe pelos erros que cometi e pelos que ainda vou cometer. Papai erra tentando acertar sempre mas tem a certeza de que não consegue. Você vai crescer e entender que nós, seres humanos, não somos perfeitos. Infelizmente, erramos.

Me perdoe pelas vezes em que você ficou triste por uma decisão minha. Desculpe ainda pelas vezes em que você chorou por minha causa. Você, daqui a alguns anos, vai entender que nunca o fiz por mal, mas sim pensando no que seria melhor para você… Infelizmente, eu não estava certo sempre mas as decisões que tomei foram pensando ser.

Você um dia, espero, vai viver os mesmos momentos de indecisão e de decisão que eu passei quando você chegou aqui e quando você estava crescendo. Espero, do fundo do meu coração, que você consiga ter mais paz e sabedoria do que eu tive para tomar essas decisões e agir mais corretamente do que eu pude ou tive oportunidade.

Desculpe, meu filho, mesmo que involuntariamente, pelas vezes em que eu não pude ou não era capaz de suprir as suas vontades e isso tenha te levado tristeza. Saiba, porém, que os “nãos” que papai te disse tinham sempre um fundamento. Espero que você cresça valorizando tudo que tenha – e não é pouca coisa. As coisas materiais e, principalmente, as imateriais.

Por fim, perdoe esse pai por inúmeras coisas que te perturbam ou chateiam e que eu nem sequer tenha consciência disso.

Mas essa carta é também para te agradecer, te dizer muito obrigado.

Obrigado por me ensinar mais do que eu julgava poder aprender. Obrigado por me mostrar mais do que eu julgava que poderia ver. Obrigado por me presentear com mais do que eu julgava merecer.

Preciso te agradecer por fazer parte da minha vida de uma forma única e presente. Por me abraçar voluntariamente sempre que deseja e por me dar aqueles beijos estalados e babados que você gosta tanto de dar. Por me mostrar que o seu jeito também é um jeito possível e diminuir um pouco da teimosia desse papai turrão.

Obrigado, meu moleque, por ser a criança inteligente e saudável que é – mesmo que isso não dependa de você. Obrigado por ser bom e generoso; pelo seu coração puro, que acredito que você vai conservar mesmo depois da infância acabar; e por estar sempre disposto a ajudar o papai em qualquer tarefa dentro de casa – e isso é seu, conscientemente.

Espero que eu seja desculpado e tenha agradecido o suficiente…

Sobre o futuro… Eu tenho plena consciência de que a vida só está começando para você e que os obstáculos que enfrentou até agora não estão nem perto do que ainda vai enfrentar durante toda a sua vida mas, acredite, eles moldaram e, durante um tempo, ainda continuarão moldando tudo em você para que consiga superar isso mais facilmente no futuro.

Espero, do fundo do meu coração, que você possa ter absorvido tudo de bom que você poderia absorver do papai. Que todos os ensinamentos que eu poderia ter dado a você, tenham sido úteis. Até agora e, principalmente, no e para o futuro. Tenho todo o orgulho em dizer que tudo que pude aprender – e ainda continuo aprendendo – com os meus pais, eu aproveitei na minha vida e, obviamente, continuo aproveitando. Quem sabe um dia você possa também ter esse orgulho. Já te antecipo que não vai precisar me dizer isso. Só de ver você colocando em prática, ficarei muitíssimo satisfeito e realizado.

Mas, como já disse anteriormente, sua vida está apenas começando. Me proponho a escrever uma outra carta como essa quando você fizer 10 anos. Assim, poderemos ler tudo isso juntos um dia e ver o que foi acontecendo na nossa vida e, principalmente, na sua. Até lá, tenha certeza de que farei tudo o que for possível para estar ao seu lado – nos momentos felizes e, principalmente, nos momentos infelizes.

Por fim… Pois, apesar de pequena, essa carta está me desidratando de tanta água que estou “perdendo”…

Quero te deixar mais claro ainda uma coisa que você talvez já saiba: você é a parte mais importante de mim, meu melhor “pedaço”, a parte do sonho maior que eu consegui realizar, a minha missão de vida, minha maior preciosidade. Mas não tome isso como um peso a ser carregado. Encare como uma motivação para que se torne cada vez melhor e melhor sempre! Para que o papai tenha sempre orgulho de dizer que você é o meu filhote.

Um beijo babado! Te amo!

Do seu Papaizinho