Ensine empatia, mas aprenda também

Por: Alberto Oliveira

 

Saudações pessoal! Por questões alheias à minha vontade, passei um período mais afastado daqui. Hoje volto a escrever e espero poder voltar a frequência normal. Queria falar um pouco sobre empatia, mas eu queria falar disso sob o olhar da criança. Vamos lá.

Dia desses, levei Davi para tomar sorvete.

Pausa: Davi não é a criança/pessoa mais empática do mundo; pelo contrário. Por características próprias e, também pelas questões da idade, é, como muitas crianças, bem egoísta. O trabalho vem sendo justamente para diminuir isso e ensinar ele (sim, ensinar, até porque tudo se aprende e se exercita) a olhar para o outro, além de olhar pra si mesmo.

Retomando: Curioso como ele é, escolheu o sorvete, viu todos os sabores, pegou o copinho (sim, ele prefere o copinho. Fazer o que?) e começou a saborear seu sorvete de creme de limão. Conversa vai, conversa vem, observando as placas do local, foram surgindo as perguntas:

– Pai, o que aquela placa quer dizer?

– Proibido fumar, filho. As pessoas não podem fumar aqui.

– E aquela outra?

– Proibido som alto. Quer dizer que as pessoas podem ouvir música baixinho, sem incomodar o outro.

– Ahhhh,entendi. Pai e aquela dali? Aquilo é um bichinho?

– É sim,filho. Aquela placa diz que aqui animais são proibidos.

– Entendi papai.

E continuou a saborear o sorvete. Minutos depois…

– Papai, queria que tia Xanda (minha noiva) e Nick (o cachorrinho dela) estivessem aqui com a gente. Eles iam gostar muito.

– Iam sim, filho. Mas lembra da plaquinha que dizia que não pode trazer animais aqui?

– Lembro sim, papai.

– Então, a gente não poderia trazer Nick pra cá.

– Mas papai, como a gente vai vir sem trazer ele??

– Filho, infelizmente a gente não poderia trazer ele pra cá, por causa da regra deles de não permitir animais.

– Entendi,papai. Então vamos procurar outra sorveteria que aceite, tá? Assim podemos ir todos juntos.

Com os olhos um pouco “suados”, respondi

– Tá certo, filho. Vamos procurar uma que possamos ir todos juntos.

E assim terminamos o nosso sorvete e voltamos para casa. O diálogo acima de fato aconteceu. E para mim foi uma grata surpresa perceber que ele começou, mesmo que timidamente, a olhar pro outro. Inclusive pro nosso cachorrinho. Foi o início e sei bem que temos um loooongo caminho pela frente, mas o primeiro passo deve ser sempre valorizado e lembrado.

Ensine e aprenda a ter empatia. Tente sempre se colocar no lugar do outro. Pense como seria legal para todos os envolvidos, tentando não colocar suas vontades e necessidades em primeiro lugar. Difícil, né? Eu não disse que era fácil. Nem disse que conseguia fazer isso sempre. Eu tento. Muito. As vezes consigo. Muitas vezes não. Mas se eu quero ter uma melhor relação com o mundo e dar um melhor exemplo pro meu pequeno, é seguir tentando e conseguindo cada vez mais.

Afinal de contas, estamos aqui é pra isso mesmo. Aprender e ensinar. E,algumas vezes, a oportunidade aparece onde a gente menos espera. Até mesmo durante um sorvete. Mas, pelo menos nesse dia, quem aprendeu fui eu. Boa semana!!

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