Precisamos falar sobre o bullying

Por: Alberto Oliveira

Vivemos tempos diferentes em nossa sociedade. Coisas que antes eram normalmente aceitas, hoje não são mais. Da mesma forma, muitas atitudes inaceitáveis hoje ganham poder e visibilidade. Inclusive, por conta do uso das redes sociais. Hoje eu queria falar sobre o bullying.

A decisão de falar sobre isso veio desse caso (http://www.24horasnews.com.br/noticias/ver/cansado-de-sofrer-bullying-na-escola-garoto-de-13-anos-se-suicida.html) .

Para mim sorte, ainda não vivo isso com meu filho. Mas sei que isso certamente fará parte da vida dele, assim como faz da vida de todas as crianças e adolescentes hoje. E, também, dos adultos. As redes sociais trouxeram muitos benefícios sob o aspecto de comunicação. Mas, da mesma forma, trouxeram muitos males. Males esses que não estamos preparados para lidar.

 

Algumas informações sobre bullying:

Fonte: http://novaescola.org.br/conteudo/336/bullying-escola

O que é bullying?

Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.

 

O bullying é um fenômeno recente?

Não. O bullying sempre existiu. No entanto, o primeiro a relacionar a palavra a um fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega, no fim da década de 1970. Ao estudar as tendências suicidas entre adolescentes, o pesquisador descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de ameaça e que, portanto, o bullying era um mal a combater.

A popularidade do fenômeno cresceu com a influência dos meios eletrônicos, como a internet e as reportagens na televisão, pois os apelidos pejorativos e as brincadeiras ofensivas foram tomando proporções maiores.

 

O que leva o autor do bullying a praticá-lo?

Querer ser mais popular, sentir-se poderoso e obter uma boa imagem de si mesmo. Isso tudo leva o autor do bullying a atingir o colega com repetidas humilhações ou depreciações. É uma pessoa que não aprendeu a transformar sua raiva em diálogo e para quem o sofrimento do outro não é motivo para ele deixar de agir. Pelo contrário, sente-se satisfeito com a opressão do agredido, supondo ou antecipando quão dolorosa será aquela crueldade vivida pela vítima.  Sozinha, a escola não consegue resolver o problema, mas é normalmente nesse ambiente que se demonstram os primeiros sinais de um praticante de bullying.

 

Como identificar o alvo do bullying?

O alvo costuma ser uma criança ou um jovem com baixa autoestima e retraído tanto na escola quanto no lar. ”Por essas características, dificilmente consegue reagir”, afirma o pediatra Lauro Monteiro Filho, fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia). Aí é que entra a questão da repetição no bullying, pois se o aluno procura ajuda, a tendência é que a provocação cesse.

 

Lendo as perguntas e respostas acima, fica bastante claro que precisamos atuar na educação dos nossos filhos, para fazer com que eles não tenham esse tipo de comportamento perante os amigos e colegas. Cada dia mais vemos o número de crianças e adolescentes tirando suas vidas por não conseguirem suportar as ofensas crescentes, vindas de, pasmem, crianças. Não, o praticante do bullying não é, necessariamente, um monstro. Na grande parte das vezes, ele é uma criança, mal instruida e educada, que não conhece o respeito que devemos ter pelos nossos semelhantes. Tudo se baseia no respeito.

Vejo muita gente falar que isso é “frescura”, visto que todos nós vivemos isso na escola. É, vivemos sim. Mas os tempos eram outros. A acessibilidade as informações era outra. A velocidade de propagação, idem. Imaginemos o seguinte cenário: em 1980, a criança de 10 anos recebe um apelido pouco “carinhoso” dos amigos da sala na escola e começam, obviamente, o bullying com ele. Ele pede ajuda a coordenação, ocorre reunião entre envolvidos e os pais. Boas chances disso parar por aí, certo? Mas vamos supor que não pare. Falamos de uma escola com mil crianças. Se TODOS tiverem acesso ao dito apelido, o universo atingido será por volta de mil individuos. É bastante gente, né? Para a época, sim. Uma mudança de escola e, talvez, em um caso bastante extremo, mudança de cidade resolveria, certo? Provavelmente sim. E se isso fosse em 2016??

Vamos imaginar a mesma situação. Apelido inconveniente, reunião na escola, envolvidos notificados. Mil crianças na escola. Vamos supor que apenas 200 tenham idade igual ou superior a 10 anos. E vamos lembrar que, hoje em dia, boa parte das crianças dessa idade já possuem smartphone com whatsapp, facebook, Instagram e outras redes sociais. Supondo que cada criança dessas tivesse mil amigos no facebook e fizesse algum tipo de exposição sobre o apelido do colega lá, teremos quantas pessoas atingidas? “Apenas” 200 mil. Percebem a capacidade do estrago? Além do fato de não sermos educados para esse mundo conectado (e nem estarmos, até então, preocupados com isso), o potencial destrutivo é MUITO maior.

Então, prezado leitor. PRECISAMOS ensinar nossos filhos sobre respeito. Sobre se colocar no lugar do outro. Sobre empatia. E, principalmente, sobre o amor. Precisamos, também, claro, ensinar eles a utilizar os novos meios de comunicação com sabedoria. E isso começa bem cedo. Estabelecendo limites, conversando, explicando e sempre exercitando a empatia vai ajudar MUITO nesse processo.

Deixo, para reflexão, 3 perguntas que devemos ensinar aos nossos filhos, quando os mesmos tiverem o entendimento para isso e que podem ajudar a nortear suas decisões sobre o que e quando falar sobre o outro.

 

1 – Você falaria tudo isso, pessoalmente, para a pessoa?

2 – Isso causará algum tipo de prejuízo para o outro, hoje ou em um futuro próximo (ou não)?

3 – Você tem certeza ABSOLUTA dos dois itens acima?

 

Criar um mundo melhor depende do nosso esforço conjunto em melhor educar os nossos filhos e, dessa forma, trazer uma geração melhor para o nosso planeta.

 

Abraços

 

 

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