Como se aprende a ser pai?

Por Beto Garcia

Certo dia estava eu conversando com uma pessoa que seria pai em pouco tempo. Ele me disse que não sabia se seria um bom pai, não tinha certeza de estar pronto para a paternidade e esperava poder dar o que o seu filho ou filha – já que ele ainda não sabia o sexo do bebê – necessita para crescer satisfatoriamente.

Eu sorri pra ele. Sorri e disse que a gente pode se preparar para ser pai ou mãe, claro. Mas que, em alguns casos, a gente não tem tempo sificiente para isso. Neste casos, precisamos agir por instinto, por bom senso e por amor. E isso é garantia de sucesso? Nunca será. Nada que fizermos nessa vida terá garantia de nada. Não temos garantia de sucesso em nada, infelizmente. Ainda mais na paternidade/maternidade.

Cada criança é um novo ser, com vontades, anseios e sonhos próprios. Não podemos controlar nada disso. Aliás, não podemos e não devemos nem tentar, né?! Mas esse é um outro papo…

A questão levantada foi de como aprender a ser pai, ainda mais com uma gravidez não planejada. E há pouco tempo eu me vi pensando nisso novamente. Então, como se aprende a ser pai?

Em um de seus textos, meu xará, Alberto Oliveira, falou um pouco do assunto, contando, inclusive, que estudou muito quando soube que seria papai. Leu livros, procurou sobre o tema na internet. Se interessou em aprender os conhecimentos teóricos que ele poderia aprender dessa forma. Além disso, só existe o conhecimento da prática, do dia a dia com um bebê aos seus cuidados. E isso você só tem quando se torna pai ou mãe. Ninguém te empresta um bebê pra você treinar isso em casa por alguns dias…

Eu, por exemplo, não fiz nada disso. Eu fui na base da absorção das informações. Na base do instinto, do bom senso e, principalmente, do amor.

E qual “roteiro” você recomenda, Beto?

Se eu pudesse recomendar alguma coisa, recomendaria um pouco de cada. Nem tão lá, nem tão cá. Depois de ter me tornado pai, procurei literatura específica sobre a paternidade. Li alguns livros bem interessantes, que davam algumas diretrizes e dicas para passar pelas etapas das crianças com mais facilidade. Mas também li muita besteira. Alguns livros traduzidos que não refletem a realidade do nosso país. Por isso, acho que se ater somente à literatura não é tão legal assim.

Além do que tem coisas que os livros não têm como te ensinar.

Como aprender a trocar fraldas, dar banho, fazer o bebê arrotar depois de se alimentar? Como explicar pra um pai como lidar com o seu filho sem saber a personalidade do bebê? Não tem como! Esses conhecimentos precisam ser aprendidos na prática ou na observação de outros pais.

Na maternidade eu aprendi a trocar a fralda do João. Aprendi também a fazer um pacotinho com a manta do pequenino e deixá-lo mais quentinho e tranquilo. Também o coloquei pra arrotar depois da alimentação. Em casa aprendi a dar banho no João, com todo o cuidado necessário. E aprendi também todo o resto dos cuidados que um recém-nascido precisa ter. O que eu não aprendi nesses dois lugares, a pediatra fez o favor de ensinar. Não tem bicho de sete cabeças! Não tem mesmo…

Mas é óbvio que podem haver pequenas complicações.

Já escrevi aqui várias vezes que o João teve problemas com golfadas. E ninguém havia me prevenido sobre isso. Fui entendendo e aprendendo com o tempo o que era necessário fazer e o que eu não deveria fazer. Bom senso.

Por amor ao seu pequeno você, que ainda vai ser papai, pode procurar informações antes dele ou dela nascer. Vai ser bom para todos. Mas não fique somente nisso. Converse com amigos que já sejam pais. Converse com os avós do bebê – eles têm muito a ajudar.

É mais ou menos assim que se aprende a ser pai. 🙂

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2 pensamentos em “Como se aprende a ser pai?”

  1. Parabéns, Beto Garcia, pelo simples mas bonito texto: Como ser Pai. Certo! …além dos cuidados básicos, vamos aprendendo mais no dia a dia com observações, aconselhamentos com nossos próprios pais, colegas e amigos que são pais, livros que tratam do assunto e, claro, os pediatras. Há também a capacidade, quase ou exclusiva, que os pais têm de “sentir” seus filhos, interpretar seus olhinhos, compreender seu choro e beijar-lhes as mãos e os pezinhos. Abraço. Gostei do seu artigo!

    1. Obrigado, Carlos. É bem por esse caminho mesmo. Conselhos com os conhecidos e profissionais. Além do conhecimento aprendido na prática do dia a dia e das leituras, em livros e na internet, em sites especializados. O mais importante sempre é buscar o melhor aos pequenos. Grande abraço!

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