A Educação do Respeito… Parte 2

Por Beto Garcia

Música sugerida: Imagine, de John Lennon.

Então… O assunto é tão extenso que julgamos que merecia um novo texto, abordando uma outra face sobre o mesmo assunto. O texto do meu xará, Alberto Oliveira, na semana passada nos deu uma visão sobre a educação do respeito em relação a questão de gênero. Dessa vez, abordarei um outro assunto polêmico: a questão racial.
Preciso escrever que essa é uma das principais questões da sociedade brasileira, quiçá mundial? Acho que não. Mas vou escrever mesmo assim. A nossa sociedade contemporânea precisa debater, repensar, reorganizar diversos assuntos. Um desses assuntos é a questão racial. E como faremos para passar essa educação do respeito sobre a questão racial para nossos filhos e filhas?
A criança tem um filtro natural para a verdade e a pureza. Mas, na minha humilde opinião, isso por si só não é suficiente para que nós, pais, deixemos a questão se desenvolver sozinha na mente dos nossos pequenos. É preciso que nós comecemos a atuar sobre assuntos polêmicos antes que a sociedade doente em que vivemos o faça e desvirtue a cabecinha deles.
Isso é educação, gente! É isso que precisamos fazer. A escola do seu filho não tem obrigação nenhuma de ensinar isso pra nenhuma criança. Por qual motivo faria com o seu filho? Como já dissemos em outros textos, a escola ensina; quem precisa educar são os pais.
Coincidentemente, na última semana esse assunto surgiu numa conversa entre eu e o João. Falei que todos eram iguais e ninguém merecia alguma coisa a mais do que outro simplesmente por ser de um jeito ou de outro. Fui assim, bem genérico. Queria testar a cabecinha dele pra saber como ele iria reagir a esse comentário. E consegui.
João não retrucou sobre a parte de merecer ou não coisas a mais do que os outros. Ele foi justamente na parte de que “todos são iguais”. Me disse que na escola tem amiguinhos diferentes: uns são meninos, outros meninas; uns têm a pele branca, outros têm a pele negra. E eu entrei justo aí, no ponto onde queria entrar. Me senti num jogo de vôlei, onde o levantador coloca a bola perfeita pro meio-de-rede vir com tudo e “colar” a bola na quadra adversária.
Então eu disse o que precisava ser dito, expliquei o que aquela situação pedia para que fosse explicado. Somos meninos e meninas; brancos, negros e índios… Temos nossas diferenças mas somos todos iguais. Com os mesmos direitos e deveres. Devemos ser bons, ajudar o próximo, ser honestos… Precisamos das mesmas coisas para viver! Ar, água, comida… Todos precisam dormir no final do dia – que doido, não?! Precisamos de carinho, de amor, de amizade. Somos seres sociáveis! Temos que conversar, temos que estar junto com outros, temos que interagir. Qual a diferença de brincar com um amiguinho com a mesma cor da sua pele ou com a cor da pele diferente? NENHUMA! Qual a diferença de brincar com um amiguinho ou uma amiguinha? NENHUMA!
Ele me olhava, de um jeito diferente do que costuma olhar enquanto eu falo com ele. Parecia realmente prestar atenção ao que eu dizia naquele momento. Não permitiu que outras coisas roubassem sua atenção. E eu permiti que ele começasse a entender toda essa confusão que nós, adultos, criamos para a nossa sociedade.
A educação do respeito precisa da gente para que nossos pequenos compreendam sobre tudo isso. As mudanças na sociedade cada vez acontecem mais rápido, cada vez atingem as crianças mais novas. A minha infância durou até os 12, 13 anos. Hoje, nessa idade, muitos adolescentes sequer pensam em brincar. E eu, nessa idade, só tinha brinquedos!
Se deixarmos para depois, achando que esse tipo de conversa só precisa ter lugar quando a criança crescer, corremos o risco de alguém – que não seremos nós – possam conversar sobre isso com nossos filhos. Quer perspectiva pior do que ter seu filho, ainda pequeno, influenciado por ideias tão negativas sobre assuntos tão importantes, como respeito ao próximo, gênero & raça, sem a sua “supervisão”???
Lembrem-se sempre: delegar para outros um trabalho que é seu, nunca é a melhor maneira de fazer nada. Ainda mais quando o assunto é o seu filho! Precisamos agir agora para que não só deixemos uma sociedade melhor para eles, mas também para que possamos deixar filhos melhores para essa sociedade.

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